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Greening no citros em 2026: calendário de manejo do psilídeo e da podridão floral para o cinturão citrícola paulista

30/06/2026

O levantamento anual do Fundecitrus divulgado em setembro de 2025 confirmou o que muitos citricultores já sentiam no campo: 47,63% das laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo/Sudoeste Mineiro apresentam greening (HLB — Huanglongbing), o equivalente a cerca de 100 milhões de árvores de um total de 209 milhões mapeados. A severidade média — a porcentagem da copa das plantas com sintomas — subiu pelo quarto ano seguido, passando de 18,7% em 2024 para 22,7% em 2025. A queda de frutas atribuída ao greening saltou de 3,1% na safra 2021/22 para 9,1% na safra 2024/25, correspondendo hoje a 50,8% de todo o fruto que cai antes da colheita.

A doença não tem cura. A bactéria Candidatus Liberibacter asiaticus, transmitida pelo psilídeo Diaphorina citri, se instala no floema da planta e não pode ser erradicada do tecido vegetal — apenas a planta inteira pode ser eliminada. O único caminho de convivência com o HLB é o manejo permanente e rigoroso do vetor, combinado com a erradicação imediata de toda planta sintomática.

Neste cenário, o calendário fitossanitário não é um documento administrativo. É o principal instrumento de trabalho de quem quer manter o pomar economicamente viável nos próximos ciclos.


1. Por que o psilídeo é tão difícil de controlar

O Diaphorina citri — o psilídeo-dos-citros — não tem entressafra. Ele explora cada surto de brotação nova do pomar, porque é nas folhas jovens e tenras (brotações com menos de 3 cm) que as fêmeas depositam ovos, as ninfas se desenvolvem e, no processo, transmitem a bactéria do greening com muito mais eficiência do que em folhas maduras.

O citros no interior paulista tem múltiplos surtos de brotação ao longo do ano, com picos em agosto-setembro (pré-florada e florada), outubro-novembro (pós-florada) e janeiro-fevereiro (brotação de verão). Cada um desses picos é uma janela de risco que exige resposta.

O Fundecitrus recomenda que as pulverizações contra o psilídeo sejam feitas em intervalo de 7 a 14 dias, com prioridade para os talhões localizados nas bordas da propriedade, onde a pressão do inseto é mais intensa — porque é pelas bordas que os psilídeos chegam vindos de propriedades vizinhas com menor controle. Em pomares jovens, com até três anos de idade, a recomendação é de pulverização semanal, independentemente do nível de infestação monitorado.

Para evitar resistência, o Fundecitrus exige a rotação de no mínimo três inseticidas com diferentes modos de ação. A mistura de inseticidas dos grupos químicos tradicionais (organofosforados, piretroides) com reguladores de crescimento e óleo mineral (≥ 0,25%) também é recomendada como estratégia de mitigação.

Em junho de 2024, a ProteCitrus — programa de manejo coordenado pelo Fundecitrus — autorizou em caráter emergencial o uso do inseticida dimetoato para controle do psilídeo. A medida se baseou em pesquisas internas do Fundecitrus que demonstraram eficiência acima de 90% de mortalidade do psilídeo com o produto aplicado na dose recomendada em bula, avaliado em sete populações coletadas em diferentes regiões do cinturão entre 2023 e 2024.


2. O marco regulatório mudou em 2025 e 2026

Dois documentos legais importantes precisam estar no radar de todo citricultor do cinturão paulista:

Portaria SDA/MAPA nº 1.326, de 4 de julho de 2025 — institui o Programa Nacional de Prevenção e Controle do HLB (PNCHLB) e redefine as diretrizes nacionais para monitoramento, controle e erradicação. A principal mudança prática: o fim da eliminação facultativa de plantas com 9 anos ou mais. Antes, o produtor podia optar por manter plantas mais velhas mesmo com sintomas de greening. Agora, a erradicação de plantas sintomáticas segue os critérios de cada estado, independentemente da idade da árvore.

Resolução SAA 32/2026 (São Paulo) — apresentada em 28 de maio de 2026 durante a Expocitros, organizada pelo IAC — Centro de Citricultura Sylvio Moreira, em Cordeirópolis. Essa resolução detalha os critérios paulistas dentro do PNCHLB, incluindo a divisão dos municípios por nível de incidência da doença. Também torna obrigatória a entrega de relatórios trimestrais de vistoria via sistema GEDAVE (sistema estadual de defesa agropecuária), com informações sobre inspeções realizadas e plantas erradicadas. O descumprimento pode sujeitar o produtor a sanções e multas.

A Resolução SAA 32/2026 revoga a anterior Resolução SAA nº 88/2021. Quem ainda opera com base na resolução antiga precisa atualizar os procedimentos internos de vistoria e registro.


3. Calendário mês a mês: manejo integrado do greening e da podridão floral

O calendário abaixo integra as principais janelas fitossanitárias do citros no interior de São Paulo (regiões de Bebedouro, Catanduva, Matão, Taquaritinga, Monte Alto e entorno), com base nas recomendações técnicas do Fundecitrus e do IAC — Centro de Citricultura Sylvio Moreira.

Importante: este calendário é uma referência para planejamento. O ajuste fino da frequência de pulverização deve ser feito com base no monitoramento local do psilídeo — armadilhas amarelas, inspeções de borda e o sistema de alertas do próprio Fundecitrus. Consulte sempre um engenheiro agrônomo habilitado para o seu talhão.

MêsFase fenológicaRisco psilídeoAção prioritária
JaneiroBrotação de verãoMédioPulverização 7–14 dias; prioridade bordas
FevereiroBrotação de verão / início de secaMédioPulverização 7–14 dias; monitorar armadilhas
MarçoSeca / repouso vegetativoBaixoAdubação de cobertura; poda pós-Hamlin
AbrilSeca / repousoBaixoColheita Valencia e Natal; inspeção de plantas
MaioQueda de junho (início)Baixo-MédioMonitoramento; erradicação de sintomáticas
JunhoQueda de junhoMédioAdubação pré-florada (N+K+micronutrientes)
JulhoPré-florada / estresse hídricoAltoPulverização intensificada; preparação para florada
AgostoFlorada principalCríticoPulverização 7 dias; manejo podridão floral
SetembroFlorada / pegamentoCríticoPulverização 7 dias; vigilância máxima de borda
OutubroPós-florada / brotaçãoAltoPulverização 7–14 dias; início colheita Hamlin
NovembroBrotação / crescimento de frutoMédio-AltoPulverização 7–14 dias; adubação pós-florada
DezembroCrescimento de fruto / brotaçãoMédioPulverização 7–14 dias; adubação verão

4. A florada: o momento mais arriscado do ciclo

A florada principal do citros em São Paulo ocorre entre agosto e setembro, com variação de alguns dias dependendo da variedade, do porta-enxerto e das condições climáticas de cada safra. É o período de maior sensibilidade do ciclo produtivo — e o de maior risco simultâneo para duas ameaças distintas: o psilídeo e a podridão floral.

Podridão floral (Colletotrichum abscissum) é, segundo o Fundecitrus, uma das mais importantes doenças fúngicas da citricultura nas Américas. As perdas variam com a distribuição de chuvas durante o florescimento — em anos com molhamento prolongado e repetido, a redução da produção pode chegar a 85% em pomares de laranja-doce. Os primeiros sintomas aparecem de 2 a 7 dias após a infecção: lesões alaranjadas nas pétalas, lesões negras no estigma e estilete, frutinhos recém-formados amarelecendo e caindo prematuramente. Após a queda, os cálices ficam retidos nos ramos — as chamadas “estrelinhas” — e podem permanecer por vários meses.

Em termos de suscetibilidade por variedade, o Fundecitrus indica que a doença causa danos mais severos em laranja Natal (flores mais agrupadas) e em variedades com múltiplos surtos de florescimento, como a Pera. A laranja Valencia apresenta danos moderados. Já a Hamlin e outras variedades precoces geralmente apresentam menos problemas com a podridão floral.

O Fundecitrus orienta a evitar tratamentos com cobre durante a plena floração, pois o produto afeta o crescimento do tubo polínico e pode reduzir a taxa de pegamento, especialmente em variedades com sementes. Se as chuvas se prolongarem por 2 a 3 dias consecutivos durante a florada, a reaplicação do fungicida é recomendada — especialmente nas fases de botão expandido e flor aberta. Chuvas acima de 25 mm podem remover quantidades significativas do produto das flores.


5. Colheita por variedade: o calendário que organiza a logística do campo

O cinturão citrícola de SP trabalha com escalonamento de variedades que distribui a colheita ao longo de quase 10 meses do ano. Para as regiões de Bebedouro, Catanduva e Matão, o sequenciamento típico é:

VariedadeColheita aproximadaCaracterísticas
HamlinOutubro → DezembroPrimeira da safra; menor suscetibilidade à podridão floral
WestinNovembro → JaneiroPrecoce; colheita parcialmente simultânea com Hamlin
PeraJaneiro → JulhoMais plantada do cinturão (segundo inventário Fundecitrus 2025); múltiplas floradas; alta suscetibilidade à podridão floral
ValenciaMaio → AgostoMeia estação; danos moderados por podridão floral
NatalJunho → SetembroÚltima da safra; maior suscetibilidade à podridão floral

O inventário do Fundecitrus de 2025 confirma que a região de Bebedouro concentra 51.752 hectares plantados com as variedades principais do cinturão — uma das quatro maiores áreas do estado, ao lado de Duartina, Avaré e Porto Ferreira. A região de Matão soma 37.084 hectares. Esses números dimensionam a escala do desafio fitossanitário local.


6. Volume e velocidade de pulverização: onde o equipamento define o resultado

O Fundecitrus estabelece parâmetros claros para a aplicação: volume mínimo de 40 mL de calda por metro cúbico de copa, com velocidade de deslocamento de até 7 km/h. Esses números não são arbitrários — definem a cobertura necessária para que o produto alcance as brotações internas da copa, onde o psilídeo se concentra, e não apenas a superfície externa das folhas.

O volume pode ser ajustado conforme a densidade foliar, a presença de frutos e as condições climáticas de temperatura e umidade relativa do ar. Mas a velocidade é um limite operacional: acima de 7 km/h, a cobertura da copa cai e a eficiência do produto é comprometida.

Para os pomares do entorno de Bebedouro, Catanduva e Matão — com espaçamento predominante entre 6×4 e 7×5 metros e copas de plantas adultas entre 2,5 e 4 metros cúbicos — o turbo-atomizador é o equipamento padrão da região para a pulverização fitossanitária. Em pomares jovens ou com copa reduzida, pulverizadores de menor volume por hectare são mais eficientes e econômicos.


Como a Stefani Massey configura a pulverização no pomar

A eficiência de qualquer programa fitossanitário depende do equipamento calibrado para o pomar real — não para o pomar médio. O volume de copa varia com a variedade, o porta-enxerto, a idade da planta e o manejo de poda. Uma pulverização subdimensionada perde eficiência; uma superdimensionada eleva o custo sem ganho de controle.

O trator que traciona o pulverizador no pomar precisa atender a três condicionantes específicos da cultura: bitola compatível com a rua do pomar (para não danificar raízes superficiais), raio de giro reduzido (para manobrar nas cabeceiras sem atropelar bordas) e potência adequada para manter a velocidade de 7 km/h constante mesmo em terreno irregular.

Para a maior parte dos pomares do cinturão de Bebedouro, Catanduva e Matão, a equipe técnica da Stefani Massey indica o MF 4707 ou o MF 4708 (99 cv, 4×4, transmissão Powershift) como referência para essa operação — modelos com bitola ajustável, raio de giro adequado para pomares convencionais e cabine com conforto para a jornada de pulverização.

Para dúvidas sobre regulagem de turbo-atomizador, configuração de bicos e velocidade de aplicação, fale com um técnico da Stefani Massey nas lojas de Catanduva, Ribeirão Preto ou Jaboticabal.


Perguntas frequentes sobre manejo do greening no citros paulista

Qual a frequência recomendada de pulverização contra o psilídeo em pomar adulto no interior de SP? O Fundecitrus recomenda pulverizações em intervalo de 7 a 14 dias, com prioridade para os talhões de borda da propriedade. A frequência deve ser ajustada conforme o monitoramento local de psilídeos com armadilhas amarelas e inspeção visual das brotações novas.

Por que os talhões de borda precisam de mais atenção no manejo do psilídeo? Segundo o Fundecitrus, o psilídeo Diaphorina citri chega ao pomar principalmente pelas bordas, vindo de propriedades vizinhas com menor controle ou de plantas hospedeiras nas divisas. As bordas concentram a maior pressão do inseto e devem receber pulverizações mais frequentes do que o interior dos talhões.

A laranja Pera é mais afetada pela podridão floral do que outras variedades? Sim. O Fundecitrus indica que a podridão floral causa danos mais severos em variedades com múltiplos surtos de florescimento, como a Pera, e em laranja Natal, cujas flores são mais agrupadas. A Hamlin e outras variedades precoces geralmente apresentam menor incidência da doença.

O que mudou na obrigação do citricultor com a nova regulamentação de 2025 e 2026? A Portaria SDA/MAPA nº 1.326/2025 acabou com a eliminação facultativa de plantas sintomáticas com 9 anos ou mais. Em São Paulo, a Resolução SAA 32/2026 determina que o produtor entregue relatórios trimestrais de vistoria via sistema GEDAVE, informando os resultados das inspeções e as plantas erradicadas. O descumprimento sujeita o produtor a sanções e multas.

Qual o impacto real do greening na queda de frutas? Segundo o levantamento do Fundecitrus de 2025, a taxa de queda de laranjas atribuída ao greening subiu de 3,1% na safra 2021/22 para 9,1% na safra 2024/25, respondendo hoje por 50,8% de toda a fruta que cai antes da colheita. A severidade média da doença — porcentagem da copa com sintomas — chegou a 22,7% em 2025, o maior índice já registrado.

Como o dimetoato pode ser usado no controle do psilídeo? O uso do dimetoato foi autorizado em caráter emergencial pela ProteCitrus em junho de 2024, após pesquisas do Fundecitrus demonstrarem eficiência acima de 90% de mortalidade do psilídeo em sete populações do cinturão citrícola. O produto deve ser usado dentro da rotação de moléculas — o Fundecitrus exige a rotação de pelo menos três inseticidas com diferentes modos de ação para evitar o desenvolvimento de resistência.


Fontes consultadas

  • Fundecitrus. Greening atinge 47,6% das laranjeiras, mas ritmo de crescimento desacelera pelo segundo ano consecutivo. Levantamento anual de greening 2025. Araraquara: Fundecitrus, setembro de 2025.
  • Fundecitrus. Greening e Psilídeo — recomendações de manejo. Disponível em: fundecitrus.com.br/pragas-e-doencas/greening-e-psilideo. Acesso: junho de 2026.
  • Fundecitrus. Podridão Floral dos Citros. Disponível em: fundecitrus.com.br/pragas-e-doencas/podridao-floral. Acesso: junho de 2026.
  • Fundecitrus. ProteCitrus estabelece novas regras para uso de produtos contra o greening e o psilídeo. Araraquara: Fundecitrus, junho de 2024.
  • Fundecitrus. Florada e manejo da podridão floral: principais dúvidas dos citricultores. Webinar Fundecitrus, setembro de 2021. Contribuição de Dirceu Mattos Jr. — pesquisador e diretor do IAC Centro de Citricultura Sylvio Moreira.
  • Fundecitrus / Markestrat / FCAV-UNESP. Inventário de árvores e estimativa de safra do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro 2025/2026. Araraquara: Fundecitrus, 2025.
  • MAPA. Portaria SDA/MAPA nº 1.326, de 4 de julho de 2025. Diário Oficial da União, Brasília, 2025.
  • IAC. Resolução SAA 32/2026. Apresentada na Expocitros 2026. Cordeirópolis: IAC — Centro de Citricultura Sylvio Moreira, maio de 2026. Via Portal Agro Credicitrus.
  • Massey Ferguson Brasil. Especificações técnicas MF 4707 e MF 4708. Disponível em: masseyferguson.com/pt_br. Acesso: junho de 2026.